Depois do banho e do almoço, de volta ao ponto de ônibus, o mesmo de todos os dias, próximo a uma escola de ensino médio. Aproximadamente meio dia e trinta. Muitos adolescentes saindo da escola, a maioria esperando o ônibus. Por alguns instantes, me deixei levar por toda aquela animação e conversação alta. Fiquei ali, parada, observando todos os detalhes. Uma boba escondida atrás de um óculos escuro. Lembrei de algum tempo atrás, por volta de quatro ou cinco anos, e me vi novamente naquele meio. A contradição nos pensamentos, e os princípios tão diferentes. Mudaram ontem, anteontem, há três anos, mudaram hoje. Eu era assim, pensava assim. Você era assim.
Um misto de verdade e encanto que cai na lembrança. O prazer da adolescência. A maneira que as meninas encontram de tornar o uniforme escolar nem tão ‘uniforme’ assim. São broches, brincos, chapéus, pulseiras. O modo de andar e de olhar para aquele menino bonito que todas as outras suspiram. O jeito que os meninos usam para mostrar um pouco de autoridade e machismo, quase uma lei para eles. Engraçado. As implicâncias entre os sexos. Os amores de escola... Ah! Esses são eternos. Aquele menino que pediu pra segurar o seu fichário na hora de ir embora. Aquele recado que ele mandou pelo colega. As risadas, tantas vezes escandalosas. As brincadeiras. Uma junção de inocência e “saber tudo”. Um refúgio.
A vontade de crescer. A busca pela independência. Os 18 anos tão esperados... Enfim, chegaram. Faculdade e estágio. O contraste. A responsabilidade e a obrigação. Um filme de fatos reais e a vontade de voltar no tempo. A saudade daquele beijo roubado na escola. Saudade da inocência do primeiro amor. Aquele primeiro namorado e a aquela primeira decepção. Todos aqueles sentimentos desabrocharam em segundos. Bom. Intenso. Verdadeiro. Os 19 anos estão indo embora, de volta à realidade. A segunda década me espera e...O ÔNIBUS! Mais um minuto viajando, e quarenta minutos atrasada no estágio. E era uma vez a falta de horários.
0 comentários:
Postar um comentário